domingo, 22 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
O conhecimento a priori e a posteriori. As proposições analíticas e sintéticos
Antes de mais convém refletir sobre as proposições sintéticas e analítica. Comummente, as primeiras correspondem a todas as proposições que aumentam o conhecimento. Por exemplo, quando afirmo que a água ferve a 100º estou a construir um conhecimento sintético porque 100º não está incluído na noção da fervura. Por isso, não é um conhecimento necessário e universal. Da mesma forma, a afirmação de que Ronaldo é mais pesado do que Messi tem carácter sintético assim como a proposição «a neve é branca» . A analiticidade das proposições é encontrada quando o predicado de um juízo está já contido no próprio sujeito, isto é, o predicado é «achado» pela simples análise do sujeito. Encontramos exemplos como «os homens calvos são homens» ou «um bom poeta é um poeta» que demonstram a analiticidade. Estes exemplos são triviais assim como é trivial a sua aplicação na argumentação. Como diz Russell, a não ser que queiramos construir algum sofisma, estas proposição nunca deviam ser enunciadas porque não acrescentam algo ao conhecimento.
É muito comum apresentarmos o conhecimento a priori como o que está antes da experiência, considerando a experiência como o contacto dos sentidos com a realidade exterior. Ora, a conotação que lhe vamos atribuir é kantiana. O seu significado corresponde ao que é independente da experiência e só pode ser alcançado pelo pensamento. É fácil ver que há ciências aprioristas. A matemática ou a lógica possuem estas características. Quando afirmo 2+2=4, recorri ao pensamento para alcançar o resultado. Contudo, os mais atentos interrogar-se-ão se realmente não há recurso à experiência na medida em que necessito de concretizar o cálculo. Como Russell mostra («Como o conhecimento a priori é possível » in Problemas da Filosofia), recorrendo a Kant, 7 e 5 devem ser colocados juntos para somar 12; a ideia de 12 não está contida em 7 e 5. Significa isto que a matemática pura é idêntica, no que aos seus métodos diz respeito, às ciência naturais? Ao contrário destas, em que é necessário um grande número de testes para confirmar uma teoria, na matemática basta sabermos uma vez que 2+2=4. Daí que a matemática não seja a posteriori mas a priori.
A posteriori significa o que é oriundo da experiência. Quando afirmo que a água é H2O ou que limão é ácido, tenho de recorrer à experiência.
Finalmente, qual a diferença entre sintético e analítico e «a priori» e «a posteriori»? A primeira é uma distinção semântica acerca de tipos de frases, a segunda é uma distinção epistemológica acerca de tipos de modos de conhecer (http://criticanarede.com/docs/etlf_analitico.pdf).
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
O problema do Livre Arbítrio
Determinismo:
Tudo o que fazemos é causado por forças que não controlamos.
Se as nossas forças são causadas por forças que não
controlamos, então não agimos livremente.
Logo, nunca agimos livremente.
Dizer que um sistema é determinista é afirmar que tudo o que nele
acontece resulta de causas anteriores, e que, logo que as causas ocorram, os
efeitos têm de se seguir inevitavelmente, dadas as circunstâncias circundantes
a as leis da natureza[1]. Então,
sempre que encontremos a mesma causa, encontraremos o mesmo efeito. Isto é, sempre que as mesmas
circunstâncias ocorrerem, serão produzidos os mesmos efeitos, tornando
previsíveis os acontecimentos. O determinismo não constata simplesmente a
presença de causas, afirma que essas causas, sempre que ocorram nas mesmas
circunstâncias, produzirão os mesmos efeitos. Daí que se negue a presença de
deliberação livre da vontade no que respeita ao ser humano.
Exemplos:
- O ciclo da água;
- Os sismos;
- Os vulcões;
Se ocorrerem determinadas
circunstâncias, então os efeitos decorrem inevitavelmente de certas causas.
Sempre que um anticiclone estaciona nos Açores o tempo em Portugal é
influenciado. O efeito desse anticiclone é sempre idêntico.
Há dias em que temos saudades do
anticiclone dos Açores.
E o ser humano? É possível
vislumbrar-lhe características determinísticas?
Os acontecimentos neurológicos.
Os estados conscientes são causados
por acontecimentos neurológicos. Realizam-se por vezes cirurgias cerebrais
apenas com anestesia local, o que permite ao paciente estar consciente e
descrever o que lhe vai acontecendo à medida que se vai fazendo estimulação das
partes do cérebro.
Assim, descobriu-se que,
estimulando várias regiões do cérebro, conseguia-se causar todos os tipos de
movimentos corporais, franzir as sobrancelhas, fechar o olho, etc… Até aqui
compreende-se que tal possa ser possível. Mas o mais curioso foi constatar que
os animais que tinham sido sujeitos a estas estimulações, não ficaram
surpreendidos com os movimentos, não revelando qualquer medo.
Do mesmo modo, estimulando um
cérebro humano e sem que o paciente soubesse, foi produzido um movimento da
cabeça e do tronco bem orientado e aparentemente normal. Repetiu-se várias
vezes esta estimulação o que revelou uma coisa ainda mais curiosa: o paciente
conseguia explicar os movimentos, dizendo que andava à procura dos chinelos ou
que tinha ouvido barulho. Um mero reflexo causado por factores externos ao
cérebro promoveu uma consciência.
Estamos perante exemplos muito
fortes de defesa do determinismo e a consequente negação do livre arbítrio.
A Sociedade e a cultura
No princípio do século vinte, com a
crescente importância de um novo ramo do conhecimento – Psicologia -
assistiu-se à promoção de teorias que professavam a influência fundamental do
meio para o desenvolvimento do indivíduo. O Behaviorismo[2]
culminou com teses que sustentavam que a educação determinava o
desenvolvimento. Seria possível, ao produzir ambientes favoráveis,
direccionarmos o desenvolvimento da criança para aquilo que desejaríamos. Neste
sentido, o determinismo social mostrava que há uma relação causa-efeito entre a
circunstância onde se vive e aquilo que se é. Eu sou a minha circunstância.
Há factos que sustentam esta tese.
Estatisticamente, as pessoas oriundas de meios economicamente desfavorecidos
têm mais probabilidade de ter insucesso escolar. Outro exemplo pode ser
encontrado no aumento considerável de suicídios junto de jovens quando os meios
de comunicação dão notícia deste tipo de ocorrências.
Factores genéticos.
Também os factores genéticos
parecem ter um peso significativo nas decisões, escolhas e apetências. Certos
estudos mostram a grande proximidade comportamental entre gémeos monozigóticos
educados em ambientes diferenciados. É conhecido o caso dos gémeos Jack Yufe e
Oskar Stohr. Um deles foi criado em Trindade pelo seu pai; o outro pela sua avó
na Alemanha. Apesar disso, quando voltaram a encontrar-se, ambos usavam óculos
com armações rectangulares e camisa com dois bolsos e dragonas. Ambos tinham um
pequeno bigode. Ambos gostavam de ler revistas de trás para a frente, além de
outras semelhanças desconcertantes.
O argumento determinista é,
então, o seguinte:
Se as nossas acções são
causadas por forças que não controlamos (no sentido de não depender de nós que algo aconteça, mas sim das circunstâncias que inevitavelmente produzirão certos efeitos), não agimos livremente.
Tudo o que fazemos é causado
por forças que não controlamos.
Então não agimos livremente.
Logo, nunca agimos livremente.
Falácias Informais: Apelo à ignorância
Apelo à Ignorância
Esta falácia ocorre quando se considera verdadeiro o que não se provou ser falso. Ou quando se considera falso o que ainda não se provou ser verdadeiro. Impõe-se limitações do nosso conhecimento à realidade.
Por exemplo: Ninguém provou que Deus não existe. Logo, Deus existe.
Pelo facto de não se provar que Deus não existe, não segue que Deus efetivamente não existe. Da mesma forma, caso não se prove que os gambozinos não existem, não se infere que não existam. A resposta deveria ser dada assegurando que a ausência de prova é circunstancial não implicando a sua total refutação. Do mesma modo, quando afirmamos que algo não é falso por ausência de prova em contrário não será conveniente, essencialmente por uma questão de honestidade intelectual, afirmar que é automaticamente verdadeiro. Podemos, isso sim, afirmar que neste momento determinada conjetura é verosimilhante, podendo não o ser no futuro.
Encontramos com mais pertinência esta falácia quando atribuímos a determinada ocorrência uma espécie de milagre pelo facto de não haver de imediato uma prova empírica. Pela ausência de prova ou de justificação, consideramos que algo acontece em virtude de um qualquer fenómeno milagroso.
"A falta de prova não é uma prova."
conhecimento à realidade.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
Argumentação e Filosofia
Filosofia, retórica e democracia
Desde cedo que nos
interessamos sobre a origem da civilização ocidental. É nela que vivemos, é
nela que depositamos os nossos projectos. Ao contrário da intenção de Karl
Popper, não pretendemos discutir se a nossa civilização é a melhor ou a pior
relativamente a outras. Simplesmente vamos procurar a sua génese e,
consequentemente, vamos conhecer melhor aquilo que somos.
Ao
longo da história humana foram muitas as civilizações que despontaram,
contribuindo para o devir (evolução, desenvolvimento...) do mundo. Umas
mais violentas, outras mais pacíficas, mas todas marcaram indelevelmente a
marcha da história. Um dos pontos mais marcantes aconteceu por volta do séc.
VII AC. Numa região de clima ameno influenciado pelas marés calmas e cálidas do
mediterrâneo oriental, emergiu um povo que se dedicou a pensar, ou melhor,
colocou como prioridade da sua efémera existência o pensamento, além de outras
actividades, nomeadamente físicas, como demonstra o interesse pelas olimpíadas.
Os
gregos eram um povo culto. Promoviam inúmeras actividades culturais, entre as
quais se encontrava a Tragédia Grega. Forma teatral por excelência, a Tragédia
Grega decorria em grandes anfiteatros (do género daquele da Lourinhã junto
ao edifício da Câmara). Aí eram protagonizadas grandes sessões teatrais de
autores tão célebres como Sófocles ou Eurípedes (para ver as características da
Tragédia Grega ler Nietzsche, A Origem da Tragédia ou Aristóteles
em Poética). Estes autores escreviam grandes textos que ainda hoje
merecem a nossa maior atenção, nomeadamente no que respeita às grandes
descrições míticas. Foi aí que tudo começou!
O
mito sempre acompanhou a vida do homem. Perante fenómenos que não possuíam
explicação e que ultrapassavam o seu domínio, o homem criou um conjunto de
teorias, mais ou menos sistemáticas, com uma certa coerência, mas dominado por
explicações fantásticas. Estas formas mitológicas eram formadas por duas
modalidades fundamentais: as Cosmogonias e as Teogonias. Ambas as posições
incluem narrativas de génese que descrevem o aparecimento de um mundo ordenado
e baseiam-se em mitos de soberania que exaltam o poder de um deus reinante no
universo. Mais especificamente, as Teogonias revelam a luta divina pela soberania
e as Cosmogonias elegem a Arché, a origem do cosmos, personificada pela
força das antigas divindades, como assunto fundamental.
Só
que... apareceram uns sábios, pelo menos eram assim considerados, que disseram
umas coisas diferentes: O princípio de todas as coisas é a água, como
advogou Tales. Que significa esta viragem? Quais as diferenças entre esta nova
perspectiva e o mito?
Podemos
dizer que, pela primeira vez, investigou-se a natureza a partir de um prisma
desinteressado: já não são as influências míticas a condicionar o pensamento
humano. A razão (Logos) tornou-se o princípio fundamental de toda
a investigação. Em segundo lugar a frase acima transcrita mostra-nos a busca da
unidade, do princípio fundamental, a busca de uma realidade que
transcende (ultrapassa) o quotidiano: eis-nos no reino da Metafísica (relembrar
a árvore de Descartes). Estes aspectos inovadores da filosofia demonstram
bem a sua própria especificidade: a radicalidade. Tal como todo o
desporto (a filosofia também pode ser um desporto, pelo menos mental) radical,
a filosofia ultrapassa os limites, vai até à raiz da realidade (ver a
diferença entre as questões filosóficas e outros tipos de questões.) e
abrange todos os domínios dessa mesma realidade.
Porém,
o seu único método é a reflexão, devidamente enquadrada com o rigor e a
independência que ela merece. Daqui deriva outra importante especificidade da
filosofia: a autonomia. Quando falamos em autonomia estamos a designar o
acto livre. A liberdade (como já foi devidamente salientado nas aulas)
identifica-se com a reflexão e, acima de tudo, com a crítica, exercendo
um exame rigoroso sobre os assuntos com que nos deparamos. Sendo assim, a
dúvida é um momento importante da actividade filosófica (tal como foi
protagonizado por Descartes) e decorre necessariamente da admiração que
o mundo nos merece e do espanto que ele nos suscita. Estavam assim
criadas as condições para o surgimento da argumentação e da retórica.
A Polis e a democracia
O sofistas e a filosofia socrática
Entre meados do século V e IV a.c.
- Sofistas
Pressupostos da filosofia sofista:
1.Método:
empírico-indutivo.
A base da filosofia sofista consiste na experiência e, a partir
dela, criar uma tese geral. Esta atitude de investigar através da experiência
designa-se de empirismo e a lógica de transitar do particular para o geral
designa-se de indução.
2.Ideia
geral:
«O Homem é a medida de todas as coisas» (Protágoras)
Interpretação desta frase:
- A realidade está submetida à análise e simplificação do homem. A
verdade é relativa ao Homem. Relativa ao homem em geral ou a cada circunstância
humana?
- Em virtude da itinerância dos sofistas, descobriu-se que a
justiça, os sistemas de convivência, a forma como se aborda a realidade, são
diferentes em diferentes estados ou povos. O que concluíram? A verdade é
convencional. Portanto, a verdade corresponde à conveniência circunstancial dos
discursos.
Consequências para a filosofia:
1. Não
há verdades absolutas.Por
isso, a verdade passa pela persuasão.
2.Não
existem soluções únicas para os problemas.
3.As
leis dos estados não são verdadeiras nem falsas, mas úteis ou convenientes.
4.A
verdade e falsidade foram substituídas pela sensatez e insensatez.
-
O homem é
palavra e a palavra é do homem;
-
O mundo é
linguagem;
-
Educadores
itinerantes da arte de bem falar aplicada à política;
-
Visavam a
eficácia retórica na política e no direito;
-
Salientaram
a relatividade da verdade.
- Sócrates e Platão
Críticos
às teses dos sofistas, nomeadamente à ideia de relatividade do saber através da
palavra.
-
Para
Sócrates a retórica é, antes de mais, a arte de ter influência sobre as almas;
-
A retórica
é um método de busca da verdade e do bem, sendo estes universais e objectivos
-
A retórica
visa a eliminação do contraditório e da discussão de base aparente;
domingo, 16 de novembro de 2014
Livros

Com tradução para português pela GRADIVA, uma viagem pela filosofia e pela matemática no séc XX tendo como pano de fundo a vida de Bertrand Russel. Vou ler e depois digo alguma coisa. A fazer fé no que foi dito por reconhecidos homens da ciência, estamos perante uma obra de arte(argumento de autoridade).
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Série Textos de Alunos: Touradas - argumento contra
| http://unhasinspiradas.com/tag/espanha/ |
Um dos argumentos mais usados a favor
das touradas é o da tradição.
Podemos usar o seguinte argumento:
. As tradições merecem ser preservadas.
. A tourada é uma tradição.
. Logo, a tourada merece ser preservada.
. Logo, a tourada merece ser preservada.
Seguindo a linha lógica de raciocínio podemos
ter em conta outros argumentos como:
. As tradições merecem ser preservadas.
. Apedrejar mulheres infiéis em algumas culturas é
uma tradição.
. Logo, em algumas culturas, apedrejar mulheres
infiéis deve ser preservado.
Concluímos que o argumento que defende que as
touradas devem ser preservadas uma vez que são uma tradição não se sustenta
racionalmente. Podemos ver nas tradições uma forma de melhoria e ajuda ao
desenvolvimento do ser humano.
Um outro argumento defensor das touradas
invoca a ética tentando assim justificar a violência das touradas sendo este:
"A ética tauromáquica é pois a seguinte: respeita-se a natureza do touro,
combatendo-o, pois é um animal de combate.(...) Sendo o touro um ser por
natureza bravo, ele realiza o seu grande bem lutando, ele realiza a sua
natureza de lutador na luta e ele realiza-se plenamente a ele próprio na
corrida e pela corrida".
O uso destes argumentos pretende provar
logicamente que quem defende o touro é o próprio toureiro.
Seguindo esta linha de raciocínio
qualquer um pode concluir também que num cenário de tortura quem defende a
vítima de tortura é o torcionário.
Em Portugal, segundo uma sondagem
recente, a percentagem de portugueses que não gosta de touradas é de 74,5 % contra
24,7 que ainda gosta (cf. Público, 26.08.2002). O artigo 9.º da Constituição
da República Portuguesa tem como tarefa fundamental do Estado “promover o
bem-estar e a qualidade de vida do povo”, o que se contradiz pela permissão das
touradas, que ofendem o sentimento maioritário da população e contribuem para a
degradação moral de quem obtém prazer estético e psicológico com o sofrimento
dos animais.
Assim concluo que as touradas não devem ser preservadas uma vez que desrespeitam
o direito dos animais, são causa de desconforto para a maioria populacional e não
há argumentação racional para a existência da tortura de bovinos.
Trabalho realizado
por: José Patrocínio
terça-feira, 14 de outubro de 2014
Série Textos de Alunos: É a tourada aceitável?
No tempo em que a Península
Ibérica era ocupada pelos Celtiberos, era costume a realização de sacrifícios
de touros em adoração aos deuses, bem como uma forma de honrar a força, a
bravura, a fecundidade e a vida. No século XII, foram registadas touradas em
países como Portugal, Espanha, França e Peru. Estes festejos consistiam em
colocar um único touro no centro de uma arena, o qual seria enfrentado por
dúzias de homens, e no final morto à vista de todos os espectadores.
Nove séculos mais tarde, é
possível perceber que pouco mudou, mesmo admitindo que as mentalidades
evoluíram e as pessoas tornaram-se muito mais civilizadas, a tortura de um
animal continua a ser considerada um espectáculo.
Os apoiantes desta prática
defendem-na insistindo que é uma tradição portuguesa de muitos anos que deveria
ser mantida; afirmando ainda que os touros que participam na tourada irão para
o matadouro de qualquer forma, sendo assim uma maneira de os mesmos poderem
mostrar a sua resistência e poder, considerando-o um acto de benevolência para
com os touros. Outros consideram ser um espectáculo lucrativo, bem como uma
forma diferente de divertimento.
Porém, em Roma era hábito
realizarem lutas de gladiadores até à morte onde famílias inteiras iam, por
diversão, observar este espectáculo macabro. Uma tradição que esteve presente
na história de Itália durante várias gerações até chegarem à conclusão que era
um atentado à vida humana. Sim, é verdade que os seres humanos possuem uma mente
mais evoluída do que a dos animais, os quais são conduzidos por instintos
selvagens, mas se colocassem uma pessoa com sérias deficiências mentais no meio
de uma arena e lhe espetassem espadas nas costas, seria o acto aceitável? Toda
a gente sabe das lutas ilegais entre cães ou gatos que ocorrem, infelizmente,
um pouco por todo o mundo. Até que ponto é justa a legalidade conferida à
tourada? Será que o touro por ser um animal mais agressivo pode ser martirizado
sem qualquer punição para os homens que praticam tal acto? Ou será que os
interesses financeiros falam mais alto do que a relação harmoniosa e desejável
entre o homem e o animal? Finalmente, em relação ao que eles chamam de acto de
benevolência, na minha opinião, consiste na exploração do sofrimento e na luta
desesperada do animal pela sobrevivência. A nobreza do touro não pode servir de
capa aos desejos humanos de divertimento e, diria mesmo, de sadismo.
Concluindo, com todo o respeito
que me merecem as diferentes formas de espectáculo e os gostos pessoais de cada
um, não posso concordar com uma diversão em que não é solicitada opinião de
participação a um dos elementos envolvidos no jogo.
Carolina Fernandes
Duarte
11ºI, Nº8
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Lógica Proposicional
Através da lógica proposicional é possível avaliar a validade de um argumento. Um inspector de circunstância, com o recurso às tabelas da verdade, pode revelar se um argumento é válido pela simples constatação da presença ou não de circuntâncias que possuam premissas verdadeiras e conclusão falsa.
Contudo, será necessário algumas explicações prévias.
Vejamos os seguintes argumentos:
Platão é grego e Sócrates é grego
Logo,
Platão é grego
Em
lógica proposicional aplicamos determinadas letras para substituir as
proposições, tal como em aritmética substituímos números por letras: 2+3=5
pode-se exprimir por X+Y=Z quando queremos dizer qualquer número.
Quantas proposições temos no exemplo?
Duas: Platão é grego e Sócrates é Grego. De seguida vamos substituir cada proposição por uma letra
p: Platão é grego.
q: Sócrates é grego.
Então,
substituindo as proposições por letras, fica: P e Q, logo P. A estas letras chamaremos variáveis proposicionais
variáveis
proposicionais: Correspondem às letras P,Q, R... que representam lugares vazios
que só podem ser ocupados por proposições.
Exercícios:
substituir as proposições pelas respectivas letras.
O
João é alto e a Maria é Alta
Logo,
o João é Alto
Resposta:
p: João é alto.
q: Maria é alta
p e q, logo p
As conectivas
Utilizamos conectivas
proposicionais para expressar determinadas formas lógicas. Entende-se por conectiva expressões que se podem
acrescentar a uma frase ou frases, formando assim novas frases:
Por exemplo: se juntarmos a expressão «ou» às frases «Platão
era romano» e «Platão era grego», ficamos com a frase «Platão era romano ou
Platão era grego».
Existem muitas formas conectivas: Penso que, acho que, porque...não
são frases mas que servem para gerar uma frase se for colocada alguma depois
dela.
Conectivas verofuncionais
Uma conectiva proposicional é
verofuncional quando o valor de verdade da proposição com a conectiva é
inteiramente determinado pelo valor de verdade da proposição ou proposições sem
conectiva.
Apesar de haver várias conectivas, a Lógica Proposicional
estuda cinco conectivas:
- …ou… - A casa é amarela ou está isolada v - disjunção
- …e… - A casa é amarela e está isolada………………………^ - conjunção
- não…- A casa não é amarela………………………………….¬ - negação
- se…,então… - Se estiver sol, então irei à praia……………….-> - condicional
- se, e só se,..- Irei à praia, se e só se, estiver sol……………<-> bicondicional
Tabelas da verdade
A disjunção
Uma tabela da verdade
é uma disposição gráfica que permite exibir as condições de verdade de uma
forma proposicional dada.
Assim, segundo a proposição «O professor vai ganhar a
lotaria ou os alunos vão ganhar» pode ser traduzida por uma tabela da verdade
da seguinte maneira:
P Q
|
P v Q
|
V V
V F
F. .V
F.. F
|
V
V
V
F
|
Estão evidenciadas as condições de verdade de uma disjunção
inclusiva, caso os dois ganhem.
Contudo, se usasse a minha disjunção de modo exclusivo, caso
o professor ganhasse de forma exclusiva, a tabela já seria diferente:
P Q
|
P v Q
|
V V
V F
F. .V
F.. F
|
F
V
V
F
|
A Conjunção
A conjunção corresponde a proposições cujo conector
verofuncional é o «e»
Assim temos um exemplo: «Manuel de Arriaga está apaixonado»
e «Manuel de Arriaga é rico»
Eis a tabela da verdade:
P Q
|
P ^ Q
|
V V
V F
F. .V
F.. F
|
V
F
F
F
|
A Negação
Chama-se negação a qualquer proposição tipo «não P»
Eis a tabela da verdade:
P
|
¬P
|
V
F
|
F
V
|
Exercícios:
1-Diga o valor de verdade das
seguintes proposições:
a)
3»1 e 4»2.
b)
O sol é um planeta ou Júpiter é uma estrela.
c)
O papagaio é uma ave ou a cobra é um réptil.
d)
2 é divisor de 6 e 7 é múltiplo de 3.
2- Considere as seguintes
proposições:
p-
Manuel é futebolista
q-
Manuel é pintor
Escreva em linguagem natural
a)
p ^q
b)
pvq
c)
~pvq~
d)
~p^~q
e)
~qv~p
Condicional
Chama-se condicional a qualquer argumento com a forma «se P,
então Q»
Por exemplo: «se a
relva é verde, então tem clorofila».
P Q
|
P=>Q
|
V V
V F
F. .V
F.. F
|
V
F
V
V
|
Uma condicional é falsa quando a antecedente é V e a consequente é F
É fácil colocar um F na segunda
linha. Se a relva é verde e não tiver clorofila, então é falsa a condicional.
Nos meios lógicos, a condicional
é bastante questionada quanto à sua verofuncionalidade. Os estóicos consideram
que a condicional é verofuncional porque, ao construirmos uma proposição tipo
«se, então» estou a sugerir uma conexão mas não afirmo efectivamente a existência
de tal conexão.
Um argumento deste tipo pode ser
enganador mas não é falso.
Bicondicional
P se, e só se, Q
Ex: Um argumento dedutivo é válido se, e só se, for
impossível as premissas serem verdadeira e a conclusão falsa.
João terminará a horas o seu trabalho se, e só se, os amigos
o ajudarem
P Q
|
P<=>Q
|
V V
V F
F. .V
F.. F
|
V
F
F
V
|
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
EXistenZ: O Problema do Livre Arbítrio
O filme de David Cronenberg de 1999 insere-se num ambiente cinematográfico muito curioso de finais de milénio. Surgiram realizações como Matrix ou The Truman Show que sugestionaram uma realidade manipulada, ou por uma máquina publicitária, onde se joga o destino e a vida, ou por um programa que enceta mecanismos de perfeita manipulação, do género «Deus ex machina».
Existenz insere-se nesta vertente cinematográfica com a novidade de apresentar a noção de jogo, como é apresentado em Matrix, e com a tentativa, conseguida, de produção da ideia de ausência de limite entre a realidade e a ficção. A realidade é ficção ou a ficção é a realidade? Seja qual for a resposta, em Existenz surge um enredo proporcionado pelo jogo, sendo o próprio filme um jogo, com as suas regras e respetivas possibilidades de escolha que permitem a sucessão de acontecimentos numa cadeia de relação causa-efeito, como é perfeitamente evidente na cena do restaurante chinês. Todos os momentos são, pois, direcionados num processo causal, tendo o jogador a única função de descobrir as diversas portas que se vão abrindo, permitindo-lhe pensar que tudo depende da sua capacidade de resposta e de decisão. Mesmo em momentos de possível desistência, que pretende questionar a presença de vontade própria e decisão de Law, somos levados para outros mundo virtuais o que provoca em Law a necessidade de interrogar-se sobre a separação entre o real e o virtual. A vida surge como um processo de alienação da realidade, da circunstância pessoal, correspondendo a um plano pre-estabelecido e determinístico. Conhecendo as causas, conhece-se os efeitos.
O final é o desenlace de todo o processo virtual, ou simplesmente o começo? Será que no mundo virtual existe esta evidência temporal? O tempo foi construído na assumção de que o ser humano é capaz de o produzir. Apesar do passado existir e apresentar razões para o que é presente, este consiste na capacidade de alterar o curso normal dos acontecimentos. No mundo virtual tudo é mera aparência. O final é sempre um começo.
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
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A necessidade do diálogo entre a História e a Filosofia na definição de uma epistemologia.
O presente trabalho tem por objetivo mostrar que não será possível construir uma noção apriorista da ciência, puramente conceptual. Ao invés...
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Luísa sobe, sobe a calçada, sobe e não pode que vai cansada. Sobe, Luísa, Luísa, sobe, sobe que sobe sobe a cal...
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O presente trabalho tem por objetivo mostrar que não será possível construir uma noção apriorista da ciência, puramente conceptual. Ao invés...