domingo, 16 de novembro de 2014

Livros



Com tradução para português pela GRADIVA, uma viagem pela filosofia e pela matemática no séc XX tendo como pano de fundo a vida de Bertrand Russel. Vou ler e depois digo alguma coisa. A fazer fé no que foi dito por reconhecidos homens da ciência, estamos perante uma obra de arte(argumento de autoridade).

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Série Textos de Alunos: Touradas - argumento contra

http://unhasinspiradas.com/tag/espanha/

Um dos argumentos mais usados a favor das touradas é o da tradição.
Podemos usar o seguinte argumento:
. As tradições merecem ser preservadas.
. A tourada é uma tradição.
. Logo, a tourada merece ser preservada.
Seguindo a linha lógica de raciocínio podemos ter em conta outros argumentos como:
. As tradições merecem ser preservadas.
. Apedrejar mulheres infiéis em algumas culturas é uma tradição.
. Logo,  em algumas culturas, apedrejar mulheres infiéis deve ser preservado.

  Concluímos que o argumento que defende que as touradas devem ser preservadas uma vez que são uma tradição não se sustenta racionalmente­­. Podemos ver nas tradições uma forma de melhoria e ajuda ao desenvolvimento do ser humano.

  Um outro argumento defensor das touradas invoca a ética tentando assim justificar a violência das touradas sendo este: "A ética tauromáquica é pois a seguinte: respeita-se a natureza do touro, combatendo-o, pois é um animal de combate.(...) Sendo o touro um ser por natureza bravo, ele realiza o seu grande bem lutando, ele realiza a sua natureza de lutador na luta e ele realiza-se plenamente a ele próprio na corrida e pela corrida". 

O uso destes argumentos pretende provar logicamente que quem defende o touro é o próprio toureiro.

Seguindo esta linha de raciocínio qualquer um pode concluir também que num cenário de tortura quem defende a vítima de tortura é o torcionário.

Em Portugal, segundo uma sondagem recente, a percentagem de portugueses que não gosta de touradas é de 74,5 % contra 24,7 que ainda gosta (cf. Público, 26.08.2002). O artigo 9.º da Constituição da República Portuguesa tem como tarefa fundamental do Estado “promover o bem-estar e a qualidade de vida do povo”, o que se contradiz pela permissão das touradas, que ofendem o sentimento maioritário da população e contribuem para a degradação moral de quem obtém prazer estético e psicológico com o sofrimento dos animais.

  Assim concluo que as touradas não devem ser preservadas uma vez que desrespeitam o direito dos animais, são causa de desconforto para a maioria populacional e não há argumentação racional para a existência da tortura de bovinos.

                             Trabalho realizado por: José Patrocínio

                                                                             11º I, nº 16

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Série Textos de Alunos: É a tourada aceitável?






No tempo em que a Península Ibérica era ocupada pelos Celtiberos, era costume a realização de sacrifícios de touros em adoração aos deuses, bem como uma forma de honrar a força, a bravura, a fecundidade e a vida. No século XII, foram registadas touradas em países como Portugal, Espanha, França e Peru. Estes festejos consistiam em colocar um único touro no centro de uma arena, o qual seria enfrentado por dúzias de homens, e no final morto à vista de todos os espectadores.

Nove séculos mais tarde, é possível perceber que pouco mudou, mesmo admitindo que as mentalidades evoluíram e as pessoas tornaram-se muito mais civilizadas, a tortura de um animal continua a ser considerada um espectáculo.

Os apoiantes desta prática defendem-na insistindo que é uma tradição portuguesa de muitos anos que deveria ser mantida; afirmando ainda que os touros que participam na tourada irão para o matadouro de qualquer forma, sendo assim uma maneira de os mesmos poderem mostrar a sua resistência e poder, considerando-o um acto de benevolência para com os touros. Outros consideram ser um espectáculo lucrativo, bem como uma forma diferente de divertimento.

Porém, em Roma era hábito realizarem lutas de gladiadores até à morte onde famílias inteiras iam, por diversão, observar este espectáculo macabro. Uma tradição que esteve presente na história de Itália durante várias gerações até chegarem à conclusão que era um atentado à vida humana. Sim, é verdade que os seres humanos possuem uma mente mais evoluída do que a dos animais, os quais são conduzidos por instintos selvagens, mas se colocassem uma pessoa com sérias deficiências mentais no meio de uma arena e lhe espetassem espadas nas costas, seria o acto aceitável? Toda a gente sabe das lutas ilegais entre cães ou gatos que ocorrem, infelizmente, um pouco por todo o mundo. Até que ponto é justa a legalidade conferida à tourada? Será que o touro por ser um animal mais agressivo pode ser martirizado sem qualquer punição para os homens que praticam tal acto? Ou será que os interesses financeiros falam mais alto do que a relação harmoniosa e desejável entre o homem e o animal? Finalmente, em relação ao que eles chamam de acto de benevolência, na minha opinião, consiste na exploração do sofrimento e na luta desesperada do animal pela sobrevivência. A nobreza do touro não pode servir de capa aos desejos humanos de divertimento e, diria mesmo, de sadismo.

Concluindo, com todo o respeito que me merecem as diferentes formas de espectáculo e os gostos pessoais de cada um, não posso concordar com uma diversão em que não é solicitada opinião de participação a um dos elementos envolvidos no jogo.


Carolina Fernandes Duarte

11ºI, Nº8

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Lógica Proposicional


Através da lógica proposicional é possível avaliar a validade de um argumento. Um inspector de circunstância, com o recurso às tabelas da verdade, pode revelar se um argumento é válido pela simples constatação da presença ou não de circuntâncias que possuam premissas verdadeiras e conclusão falsa.

Contudo, será necessário algumas explicações prévias.


 Vejamos os seguintes argumentos:


Platão é grego e Sócrates é grego
Logo, Platão é grego

Em lógica proposicional aplicamos determinadas letras para substituir as proposições, tal como em aritmética substituímos números por letras: 2+3=5 pode-se exprimir por X+Y=Z quando queremos dizer qualquer número.

Quantas proposições temos no exemplo?

Duas: Platão é grego e Sócrates é Grego. De seguida vamos substituir cada proposição por uma letra

p: Platão é grego.
q: Sócrates é grego.

Então, substituindo as proposições por letras, fica: P e Q, logo P. A estas letras chamaremos variáveis proposicionais

variáveis proposicionais: Correspondem às letras P,Q, R... que representam lugares vazios que só podem ser ocupados por proposições.

Exercícios: substituir as proposições pelas respectivas letras.

O João é alto e a Maria é Alta
Logo, o João é Alto

Resposta: 

p: João é alto.
q: Maria é alta

p e q, logo p

As conectivas


Utilizamos conectivas proposicionais para expressar determinadas formas lógicas. Entende-se por conectiva expressões que se podem acrescentar a uma frase ou frases, formando assim novas frases:

Por exemplo: se juntarmos a expressão «ou» às frases «Platão era romano» e «Platão era grego», ficamos com a frase «Platão era romano ou Platão era grego».

Existem muitas formas conectivas: Penso que, acho que, porque...não são frases mas que servem para gerar uma frase se for colocada alguma depois dela.

Conectivas verofuncionais


Uma conectiva proposicional é verofuncional quando o valor de verdade da proposição com a conectiva é inteiramente determinado pelo valor de verdade da proposição ou proposições sem conectiva.



Apesar de haver várias conectivas, a Lógica Proposicional estuda cinco conectivas:

  1. ou… - A casa é amarela ou está isolada                               v - disjunção
  2. e… - A casa é amarela e está isolada………………………^ - conjunção
  3. não…- A casa não é amarela………………………………….¬ - negação
  4. se…,então… - Se estiver sol, então irei à praia……………….-> - condicional
  5. se, e só se,..- Irei à praia, se e só se, estiver sol……………<-> bicondicional

Tabelas da verdade


A disjunção


Uma tabela da verdade é uma disposição gráfica que permite exibir as condições de verdade de uma forma proposicional dada.

Assim, segundo a proposição «O professor vai ganhar a lotaria ou os alunos vão ganhar» pode ser traduzida por uma tabela da verdade da seguinte maneira:

P  Q
P  v  Q
V  V
V  F
F. .V
F.. F
V
V
V
F

Estão evidenciadas as condições de verdade de uma disjunção inclusiva, caso os dois ganhem.

Contudo, se usasse a minha disjunção de modo exclusivo, caso o professor ganhasse de forma exclusiva, a tabela já seria diferente:

P  Q
P v  Q
V  V
V  F
F. .V
F.. F
F
V
V
F

A Conjunção


A conjunção corresponde a proposições cujo conector verofuncional é o «e»

Assim temos um exemplo: «Manuel de Arriaga está apaixonado» e «Manuel de Arriaga é rico»

Eis a tabela da verdade:

P  Q
P ^ Q
V  V
V  F
F. .V
F.. F
V
F
F
F

A Negação


Chama-se negação a qualquer proposição tipo «não P»

Eis a tabela da verdade:

P
¬P
V
F
F
V


Exercícios:
1-Diga o valor de verdade das seguintes proposições:

a)      3»1 e 4»2.
b)      O sol é um planeta ou Júpiter é uma estrela.
c)      O papagaio é uma ave ou a cobra é um réptil.
d)     2 é divisor de 6 e 7 é múltiplo de 3.

2- Considere as seguintes proposições:
            p- Manuel é futebolista
            q- Manuel é pintor
Escreva em linguagem natural
a)      p ^q
b)      pvq
c)      ~pvq~
d)     ~p^~q
e)      ~qv~p

Condicional


Chama-se condicional a qualquer argumento com a forma «se P, então Q»

Por exemplo: «se a relva é verde, então tem clorofila».




P  Q
P=>Q
V  V
V  F
F. .V
F.. F
V
F
V
V

Uma condicional é falsa quando a antecedente é V e a consequente é F
É fácil colocar um F na segunda linha. Se a relva é verde e não tiver clorofila, então é falsa a condicional.

Nos meios lógicos, a condicional é bastante questionada quanto à sua verofuncionalidade. Os estóicos consideram que a condicional é verofuncional porque, ao construirmos uma proposição tipo «se, então» estou a sugerir uma conexão mas não afirmo efectivamente a existência de tal conexão.

Um argumento deste tipo pode ser enganador mas não é falso.


Bicondicional


P se, e só se, Q
Ex: Um argumento dedutivo é válido se, e só se, for impossível as premissas serem verdadeira e a conclusão falsa.

João terminará a horas o seu trabalho se, e só se, os amigos o ajudarem


P  Q
P<=>Q
V  V
V  F
F. .V
F.. F
V
F
F
V

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

EXistenZ: O Problema do Livre Arbítrio


    O filme de David Cronenberg de 1999 insere-se num ambiente cinematográfico muito curioso de finais de milénio. Surgiram realizações como Matrix ou The Truman Show que sugestionaram uma realidade manipulada, ou por uma máquina publicitária, onde se joga o destino e a vida, ou por um programa que enceta mecanismos de perfeita manipulação, do género «Deus ex machina». 
    Existenz insere-se nesta vertente cinematográfica com a novidade de apresentar a noção de jogo, como é apresentado em Matrix, e com a tentativa, conseguida, de produção da ideia de ausência de limite entre a realidade e a ficção. A realidade é ficção ou a ficção é a realidade? Seja qual for a resposta, em Existenz surge um enredo proporcionado pelo jogo, sendo o próprio filme um jogo, com as suas regras e  respetivas possibilidades de escolha que permitem a sucessão de acontecimentos numa cadeia de relação causa-efeito, como é perfeitamente evidente na cena do restaurante chinês. Todos os momentos são, pois, direcionados num processo causal, tendo o jogador a única função de descobrir as diversas portas que se vão abrindo, permitindo-lhe pensar que tudo depende da sua capacidade de resposta e de decisão. Mesmo em momentos de possível desistência, que pretende questionar a presença de vontade própria e decisão de Law, somos levados para outros mundo virtuais o que provoca em Law a necessidade de interrogar-se sobre a separação entre o real e o virtual. A vida surge como um processo de alienação da realidade, da circunstância pessoal, correspondendo a um plano pre-estabelecido e determinístico. Conhecendo as causas, conhece-se os efeitos. 
    O final é o desenlace de todo o processo virtual, ou simplesmente o começo? Será que no mundo virtual existe esta evidência temporal? O tempo foi construído na assumção de que o ser humano é capaz de o produzir. Apesar do passado existir e apresentar razões para o que é presente, este consiste na capacidade de alterar o curso normal dos acontecimentos. No mundo virtual tudo é mera aparência. O final é sempre um começo. 

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O conhecimento filosófico

O conhecimento filosófico

Quando pretendemos escrever sobre um qualquer assunto é conveniente definir muito bem os termos com que faremos o nosso texto.

Conhecimento pode ser definido como uma crença, entendida como algo em que nós acreditamos; verdadeira, porque tem que corresponder à realidade e, obviamente, justificada. Não vale dizermos seja o que for sem saber justificar o que foi dito. Nesta medida, o conhecimento refere-se sempre a algo e visa compreendê-lo. Para tal faz-se um esforço para organizar as ideias, no sentido de lhes fornecer uma ordem. Quando nos deparamos com uma situação nova, somos levados a procurar uma ideia, um sentido àquilo para me sentir mais seguro. Só que, por vezes, a realidade não é assim tão fácil. Há assuntos que merecem mais a nossa atenção do que outros; assim como há assuntos que são mais facilmente resolúveis por determinadas ciências. Um cientista procura, através de um método e instrumentos próprios, conhecer a realidade, dando-lhe um certo significado. Por isso, cria fórmulas químicas, modelos matemáticos, classificações de plantas e animais… Atenção, não quer isto dizer que a filosofia não necessita da ciência. Aliás, é imprescindível o recurso à ciência para fazer filosofia.

Vamos fazer a ligação com a filosofia
A filosofia não envereda por estes caminhos. Os seus recursos técnicos não são idênticos às ditas ciências naturais. Na filosofia não se usam microscópios (embora, por vezes, seja necessário um olhar de lince), muito menos provetas. Na filosofia recorre-se à argumentação. O raciocínio é uma predisposição que possuímos que nos leva a pensar sistematicamente com o objetivo de qualquer pessoa reconhecer como correto. A razão é, deste modo, um recurso importante porque nos propõe utilizar um método que seja imune ao individual e social. A lógica tem aqui um papel preponderante.

Agora uma ligação com os argumentos
A correção dos nossos argumentos é uma exigência social. Daí que a filosofia recorra de forma assídua à lógica. Esta mostra-nos quando um argumento é ou não válido, tem ou não sentido, o que não impede que façamos as devidas correções às premissas que sustentam a conclusão. Isso mesmo, um argumento é um encadeamento de ideias em que a última é sempre expressão das anteriores.
Não parece muito viável que executamos qualquer ponto de vista a partir de uma forma desconexa, pois não permitiria que a racionalidade do outro fosse respeitada. Também ninguém quereria ficar nesta situação porque todos nós temos um conjunto de teses sobre a realidade que gostamos de partilhar. As teses não são mais do que ideias que formulamos acerca dos problemas; proposições, verdadeiras ou falsas, sobre os mais variados assuntos. Mas sejamos sérios. Estas ideias não se podem ficar por meras opiniões, elas devem ser sustentadas por argumentos que enalteçam a clareza e a racionalidade. Os problemas da vida assim o exigem. 

(aproveito para falar de problemas).

Problemas há muitos. É comum identificarmos um problema com uma situação que apela à nossa intervenção e compreensão, no sentido de ser clarificado para nosso benefício. Mas atenção, a filosofia não se debruça sobre o problema, por exemplo, da transmissão de certas doenças; os problemas da filosofia correspondem às designadas crenças básicas, crenças que servem de apoio a todas as outras. Se estou a tentar conhecer algo é porque resolvi uma questão que lhe serve de referência: o que é o conhecimento? Da mesma forma, se for crente é porque confio na crença básica do crente: Deus existe (apesar de em Filosofia o encontro com Deus seja racional). Se ouço uma música e dela usufruir, encontro-me em condições de descrever uma crença básica: o que é arte? Quando me dirijo a uma urna no sentido de votar, encontro neste ato uma pergunta básica: o que é a política? Numa situação de comportamento moral sei, ou devia saber, responder à pergunta: o que é o bem? O que é o mal?

António Daniel

sábado, 14 de setembro de 2013



As questões filosóficas costumam ser sintetizadas em quatro:


  • O que posso saber?
  • O que devo fazer?
  • Que me é permitido esperar?
  • Que é o Homem
São quatro grandes questões que, segundo Kant, abrange o campo da filosofia. A primeira acentua o conhecimento que, numa terminologia muito própria, se designa de gnosiologia, quando nos referimos ao conhecimento em geral, ou epistemologia, se as nossas preocupações se referem ao conhecimento científico. Esta distinção é puramente formal, já que o conhecimento científico é produzido na base de construção de qualquer conhecimento. Portanto, quando pergunto sobre o que posso saber, questiono a possibilidade de conhecer, a essência desse conhecer e a sua origem.

Ao conhecimento está ligado de forma indissociável o fazer. O fazer leva-nos ao conhecer, o conhecer permite-nos fazer. Porém quando fazemos algo, o horizonte do fazer encontra sempre «os outros». Tudo o que o ser humano faz implica  a existência do outro. Como consequência, «faço» de acordo com aquilo que à partida pode ser bom ou mau.O bem e o mal são dois termos que prefiguram uma coexistência entre os seres humanos. Na natureza o bem e o mal são inexistentes. São valores inscritos na existência humana que confere à ação um conteúdo ético.

Às ações juntam-se inevitáveis conceitos. Quando em tribunal se avalia a culpabilidade ou inocência de um réu, os motivos, as razões, as intenções o carácter deliberativo e decisório do agente são aspectos que um bom advogado terá que levar em consideração. Para tal, deve dominar estas noções para que se aproxime de uma ideia de Homem.

«O que é o Homem?» é a pergunta fundamental. Talvez lá para o fim do ano possamos encontrar uma resposta. Até lá vamos tentado.


A necessidade do diálogo entre a História e a Filosofia na definição de uma epistemologia.

O presente trabalho tem por objetivo mostrar que não será possível construir uma noção apriorista da ciência, puramente conceptual. Ao invés...