Pelo simples facto de haver desacordo entre culturas e elas possuírem códigos morais diferentes, não podemos concluir a não existência de uma moral universal única. É certo que o relativismo torna-nos mais abertos e apela a que tentemos ser benevolentes com aquilo que é praticado nas outras sociedades. No entanto, adoptando esta visão de forma radical, perdemos o nosso espírito crítico. Deixamos de poder criticar não só as outras práticas culturais, como também as que existem dentro da nossa própria sociedade (e que, por vezes, temos dificuldade em compreender). É importante as pessoas discernirem bem a sua posição e é crucial perceberem a diferença entre racismo e opinião crítica. Podemos criticar o que pensamos não ser correcto sem com isso sermos acusados de racismo. Sem este espírito, nem sequer existiria progresso moral. Pessoalmente, penso que qualquer cultura deveria sempre e acima de tudo respeitar a vida e a dignidade humanas. Obviamente, sou contra certas práticas, ainda que tenha consciência que há sempre muitos factores em jogo. Rachels dá o exemplo dos esquimós que matam as bebés, porque há falta de comida e, uma vez que os homens são os seus principais fornecedores, são mais precisos. É uma questão de sobrevivência. Será que com esta prática os esquimós dão menos valor à vida humano do que nós?
Sara Gonçalves.
sábado, 8 de janeiro de 2011
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Ideias Relativistas
O Relativismo Social e moral é um conceito, diríamos nós, pós-moderno, apesar da sua existência remontar aos primórdios da interrogação racional, como se verifica na corrente desenvolvida pelos Sofistas. Contudo, actualmente o horizonte relativista e subjectivista revestiu-se de novos contornos. Com o desmembramento do modernismo (período que estende, mais ou menos, desde o séculoXVI e séc XIX), que se dinamizava pelas suas valências éticas que pressupunham uma racionalidade universalizante, surge o pós-modernismo que, por sua vez, investe na pulverização das personalidades e na adequação das instituições ao indivíduo. O efémero toma parte das instituições, o subjectivismo e o relativismo ocupam as discussões, levando à não discussão. Por que se verifica isto? Pelas subtis ideias do relativismo:
1.As sociedades possuem códigos morais diferentes.
2.Esse código social determina o que é correcto no seio da sociedade.
3.Não há qualquer padrão objectivo que se possa usar para ajuizar um código social como melhor do que outro.
4.Nenhuma sociedade se sobrepõe a outra no que respeita aos valores morais.
5.Não existe qualquer verdade universal.
6.Não devemos julgar as condutas dos outros povos.
(adaptado de James Rachel, Elementos da Filosofia Moral, Gradiva)
Imagem retirada de http://logosecb.blogspot.com/2010_03_01_archive.html
Imagem retirada de http://logosecb.blogspot.com/2010_03_01_archive.html
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Relativismo e Ética
Nos argumentos apresentados para defender uma posição ética é comum as pessoas não saberem argumentar. Geralmente partem de uma premissa particular para uma conclusão também particular. É comum ouvir-se o seguinte argumento: Como o meu vizinho não paga impostos, também não pago impostos. Obviamente que, filosoficamente falando, isto é uma brincadeira de crianças. O meu não pagamento de impostos não decorre do incumprimento do meu vizinho. A argumentação exige argumentos válidos. Assim, quando quero defender a minha posição acerca dos touros de morte devo reforçá-la por princípios que sustentem o meu juízo:
Sacrificar animais para divertimento é errado
A tourada com touros de morte é um espectáculo
Logo, as touradas com touros de morte são erradas
Contudo, isto levanta um problema sério. Há sociedades em que sacrificar animais para espectáculos não é de todo errado. Há países em que a luta de cães ou de galos está institucionalizada. Podemos, em virtude deste relativismo, condenar essas práticas? É bastante fácil constatar o princípio fundamental do relativismo ético: diferentes sociedades possuem diferentes padrões éticos. Contudo, ao admitir este facto, devo admitir que qualquer padrão é válido. Ou não?
Vamos discutir o Relativismo.
Sacrificar animais para divertimento é errado
A tourada com touros de morte é um espectáculo
Logo, as touradas com touros de morte são erradas
Contudo, isto levanta um problema sério. Há sociedades em que sacrificar animais para espectáculos não é de todo errado. Há países em que a luta de cães ou de galos está institucionalizada. Podemos, em virtude deste relativismo, condenar essas práticas? É bastante fácil constatar o princípio fundamental do relativismo ético: diferentes sociedades possuem diferentes padrões éticos. Contudo, ao admitir este facto, devo admitir que qualquer padrão é válido. Ou não?
Vamos discutir o Relativismo.
domingo, 2 de janeiro de 2011
Ensino da Filosofia
A utilidade da Filosofia no ensino universitário:
http://stephenlaw.blogspot.com/2010/12/verbal-vs-mathematical-aptitude-in.html
http://stephenlaw.blogspot.com/2010/12/verbal-vs-mathematical-aptitude-in.html
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
A propósito de Pisa
(imagem retirada daqui)
Quando o silêncio e a relativização se tornam necessários, é quando os políticos mais falam. A propósito dos resultados de Pisa, as reacções foram estridentes, estabelecendo relações causa-efeito ilegítimas. Designa-se por post ergo, ergo propter hoc a falácia onde se assume que um efeito é consequência de uma determinada causa por mera sucessão temporal. Se José Sócrates afirma que os melhores resultados se devem à política governamental de educação está, obviamente, a incorrer nesta falácia. Pelo menos tem o mérito de proporcionar aos estudantes de filosofia casos concretos de falácias.
Wikileaks e Ética
A propósito disto convém dizer duas pequenas coisas. Em primeiro lugar, a publicitação de conteúdos considerados «segredos de estado» só se justifica se a consequência tiver mais vantagens do que prejuízos. Neste caso em particular creio que traz mais prejuízos do vantagens. Logo, num ponto de vista utilitarista, considero ilegítima o exacerbamento da Sociedade Transparente. De facto, se todos os estados fossem transparentes assim como as pessoas, seria possível viver? A ocultação e o segredo ainda são importantes. Claro está que, caso haja um benefício evidente, a divulgação de conteúdos secretos, tal como aconteceu com o caso irão-contras ou com Watergate, é legítima. Agora, se a administração americana considera que Zapatero é «um felino na selva» não é algo que contribua para a felicidade. Bom, convenhamos que pode contribuir para uns sorrisos...
terça-feira, 23 de novembro de 2010
O que estou aqui a fazer
Muitas vezes sinto-me frustrado, por vezes renasço, sem saber porquê. É este o dia-a-dia de um professor que ingenuamente quer todos mas que só pode contentar-se com alguns. Mesmo assim, creio que todos os alunos se apercebem da necessidade de pensar e, acima de tudo, de pensar bem. Mas creio que a minha principal função será a de desconstruir. Isso dá-me um certo gozo. Conjugar o egocentrismo com a capacidade do adolescente querer pôr tudo em causa, é uma oportunidade única que um professor tem de exercer o seu papel, neste caso um professor de filosofia. Para tal será conveniente «abalar» os ténues alicerces do conhecimento adquirido até aí e propor-lhe caminhos possíveis. É só o que posso fazer, é assim que me sinto útil.
Para ver: http://camaraclara.rtp.pt/
Para ver: http://camaraclara.rtp.pt/
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Escrita e Cérebro
Sou um entusiasta moderado do uso das novas tecnologias. Por um lado devem funcionar como um meio e nunca como um fim em si mesmas. Se contribuírem para a facilitação, acessibilidade de informação e possibilitar a troca de conhecimentos, tudo bem. Porém, se houver um entusiasmo desmedido a favor de gadgets sem o equilíbrio da crítica, então tudo mal. O nosso índice civilizacional trouxe consigo uma vertente que anteriormente não existia: o exercício científico, o único patamar humano onde ainda se encontra alguma seriedade. Pelo menos assim acredito.
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1716312&seccao=Sa%FAde
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1716312&seccao=Sa%FAde
domingo, 14 de novembro de 2010
sábado, 13 de novembro de 2010
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Acção (ainda não aderi, involuntariamente, ao acordo)
O que torna o ser humano diferente dos outros seres vivos. Quais as características da mente? Como pode uma massa cinzenta ter estados mentais?
1. Consciência.
Quais as provas da existência de consciência? A não ser que tenhamos qualquer problema de índole neurológico, todos sabemos que estamos aqui, que estamos a ler estas linhas (se calhar estamos a pensar noutro assunto mais interessante), que, no fundo existimos. Como é possível termos consciência. Sabemos pela ciência que existem determinadas actividades electroquímicas específicas que ocorrem entre os neurónios e que causam a consciência. Definindo-a podemos dizer que a Consciência «é um estado mental em que temos conhecimento da nossa própria existência e da existência daquilo que nos rodeia»[1].
O que é, então, fundamental para afirmamos a consciência é necessário:
· estar acordado;
· ter uma mente operacional;
· ter, nessa mente, uma sensação espontânea e directa do eu enquanto protagonista
- É o estado mental fundamental. Sem ela nada tinha algum sentido.
2. Intencionalidade.
Ter intenção é, antes de tudo, desejar algo, é ter desejo que algo aconteça, é agir de acordo com uma determinada finalidade e de acordo com determinadas crenças. Ter sede é ter o desejo de beber. Ter sede é um estado intencional: tem conteúdo.
3. Subjectividade.
Todos os estados de consciência são acessíveis de forma diferente em diferentes pessoas. O estado de consciência é característico do cérebro de cada um. Assim, o estado subjectivo é um facto objectivo da biologia (Searle).
4. Causação mental
Os nossos pensamentos não são imponderáveis e etéreos. O pensamento executa uma acção, quer no nosso cérebro quer no movimento corporal por ele desencadeado.
Resumindo: em todos os estados ditos mentais há uma correspondência biológica, em que o micronível neuronal desencadeia processos macroníveis (pensamentos…) que são e exercem a acção sobre alguma coisa. Tanto o mentalismo (que advoga a existência de pensamento puro) como o fisicalismo (que advoga que tudo se reduz à matéria) são verdadeiros (ideia de Searle, Mente Cérebro e Ciência).
Subscrever:
Mensagens (Atom)
A necessidade do diálogo entre a História e a Filosofia na definição de uma epistemologia.
O presente trabalho tem por objetivo mostrar que não será possível construir uma noção apriorista da ciência, puramente conceptual. Ao invés...
-
Luísa sobe, sobe a calçada, sobe e não pode que vai cansada. Sobe, Luísa, Luísa, sobe, sobe que sobe sobe a cal...
-
O presente trabalho tem por objetivo mostrar que não será possível construir uma noção apriorista da ciência, puramente conceptual. Ao invés...
