domingo, 26 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Condições necessárias e suficientes para produzir conhecimento
Conhecimento e Crença
Por
crença entendemos qualquer tipo de convicção. Não é concebível elaborar conhecimento sem que se acredite no que se afirma. Daí que a crença seja condição
necessária[1]para o conhecimento.
Por
isso considera-se contraditória a seguinte afirmação:
Sei
que a terra é redonda, mas não
acredito nisso.
|
A crença é uma condição necessária na medida em que é um
aspecto fundamental para que haja conhecimento, mas não é suficiente porque,
além da crença, há outros factores que, em conjunto, são condições necessárias
e suficientes.
Conhecimento e Verdade
Como não podemos ficar pelas crenças, temos de procurar
outras condições que completem essa crença. Assim, posso acrescentar que a
crença, para produzir conhecimento, tem de ser verdadeira. Quando digo que
Maria está na praia tenho de ter um conhecimento factivo[2] de
que a Maria está na praia. Se simplesmente julgar, erradamente, que Maria está
na praia estou a ter uma crença falsa. Portanto, sem verdade não há
conhecimento.
Ex:
O Ambrósio sabe que o céu é castanho. Esta proposição viola a facticidade do
conhecimento e, por isso, é falsa
Mas será a crença verdadeira condição necessária e
suficiente para o conhecimento?
Mais uma vez só podemos afirmar que é uma condição
necessária. Porquê?
Há
situações em que tenho uma pretensa crença verdadeira, mas que só por acaso é
verdadeira. Se se perguntar ao aluno Luisão qual a raiz quadrada de 4 e ele
responder, sem convicção e certeza, que é 2, estamos perante um acaso. Logo, é
necessário algo mais para produzirmos conhecimento. Uma crença verdadeira é
quando julgamos que a crença julga a realidade tal como ela é, mas só por
si não garante que se alcance o conhecimento
Conhecimento e Justificação
Resulta do que ficou dito que o conhecimento não pode ser
consequência do acaso. A crença verdadeira é uma condição necessária mas não
suficiente para o conhecimento se processar. Por isso, devemos pressupor que é
necessário algo mais; é fundamental, tal como refere Platão em Teeteto, numa justificação.
A
justificação é uma condição necessária para o conhecimento. Apresentar as razões para confirmar a
veracidade de uma crença é indispensável para produzir conhecimento. Justificar
é fazer uma ligação efectiva entre a crença e a realidade.
A
justificação pode revestir-se de duas formas:
a)
através
de um argumento. Os argumentos justificam afirmações a partir de outras;
b)
Através
dos sentidos, ou seja, directamente (se Ambrósio visse a meia cheia de
presentes).
Conclusão:
Conhecimento
será, então, uma crença verdadeira justificada.
S
conhece P se e só se: 1) S acredita em P.
2) P é
verdadeira.
3) S tem
uma justificação para acreditar em P.
sábado, 3 de dezembro de 2011
Lógica, lógica informal, demonstração, demonstração dialética, retórica e persuasão
1. No
estudo que efetuámos sobre a lógica vimos como se estruturam os argumentos
dedutivos válidos. Partimos do pressuposto que, se as premissas forem
verdadeiras a conclusão também será verdadeira. Assim, num argumento válido as
premissas sustentam a conclusão. Esta característica da validade é atribuída a
todos os argumentos. Contudo, há argumentos que utilizam demonstrações
dialéticas, pois utilizam premissas passíveis ou não de concordância. Portanto,
aquela distinção entre demonstração e argumentação é mais formal do que real,
pois a argumentação também se estabelece a partir da lógica formal,
nomeadamente pela avaliação da validade.
Demonstração
|
Demonstração dialética
|
Se 2+2=4, então 3+1=4. 2+2=4, logo 3+1=4
|
Todos os seres têm direitos. O javali é um ser,
logo o javali tem direitos
|
É fácil constatar que a diferença
fundamental entre a demonstração e a demonstração dialética reside no facto das
premissas da demonstração dialética serem discutíveis, ao passo que as
premissas da demonstração são verdades necessárias e estabelecida, embora ambos possam ser avaliados através da lógica.
2. Em
virtude do seu carácter discutível, a demonstração dialética procura, além da
validade, a persuasão, isto é, procura a melhor forma de construir argumentos
bons. Para tal, recorre a outros instrumentos, como a retórica. Um bom
argumento procura convencer, auxiliando-se na retórica no sentido de encontrar
vias que tornem possível um maior esclarecimento e uma forma de comunicação mais eficaz.
No decurso de uma discussão, resultado da presença de um argumento dialético,
os interlocutores utilizam outros argumentos como a indução, a analogia ou os
argumentos de autoridade. Evidentemente que os devem utilizar da melhor forma
para não caírem em falácias, como pode servir de exemplo a generalização precipitada.
Para tal, o contexto, o conhecimento do auditório e outras variáveis devem ser
devidamente ponderadas.
3. Porém, não devemos esquecer a distinção entre persuasão e manipulação. Um dos ingredientes
fundamentais de qualquer argumentação reside no respeito que qualquer pessoa
merece. Para tal, a nossa intenção deve persuadir, atribuindo ao nosso
interlocutor o respeito devido, apontando as razões e dando-lhe liberdade de
pensamento, não o condicionando na sua racionalidade. A manipulação não permite
que tal aconteça. Ela sugere, não demonstra, procurando jogar com as emoções e
com o subconsciente.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Argumentação e Retórica
Retórica e lógica informal
Por “retórica” pode-se entender um conjunto de regras que têm por objectivo tornar mais clara a expressão dos argumentos; este sentido de “retórica” coincide com o que hoje se chama “lógica informal”. Mas por “retórica” pode entender-se outra coisa: a arte de persuadir independentemente da validade dos argumentos.O papel da lógica informal pode ser ilustrado com o seguinte argumento:
1) Se desejarmos apurar as capacidades cognitivas dos alunos, temos de os ensinar a formular com clareza, precisão e criatividade os problemas, teorias e argumentos filosóficos.Do ponto de vista da lógica formal é indiferente apresentar o argumento por esta ordem, ou inverter a ordem e começar por 2 em vez de 1. No entanto, o argumento é mais facilmente compreensível se começarmos por 2. A lógica informal aconselha a começar por 2 (cf. Weston, Anthony, A Arte de Argumentar, Gradiva, Lisboa, 1996, págs. 21-23).
2) Se concebemos a filosofia como uma actividade cognitiva, o objectivo do seu ensino será apurar as capacidades cognitivas dos alunos.C) Logo, se concebemos a filosofia como uma actividade cognitiva, temos de ensinar os alunos a formular com clareza, precisão e criatividade os problemas, teorias e argumentos filosóficos.
Contudo, a retórica aconselha a não mudar a ordem, precisamente pela mesma razão. Enquanto a lógica informal é uma actividade que tem como objectivo o argumento válido persuasivo, a retórica tem por objectivo único persuadir o interlocutor — e é mais fácil persuadir o interlocutor quando ele não consegue avaliar o argumento em causa por ficar confundido, uma vez que assim também não consegue refutá-lo. Enquanto a lógica informal tem por objectivo oferecer a possibilidade do pensamento crítico, a retórica tem por objectivo silenciar o pensamento crítico e persuadir a outra pessoa, independentemente da validade dos argumentos apresentados.
Nenhuma retórica pode transformar um argumento mau num bom argumento; o que a retórica pode fazer, no máximo, é disfarçá-lo; mas não ajuda a apresentar argumentos válidos nem a denunciar os inválidos. É a lógica informal que ajuda a fazer ambas as coisas.
Tanto a lógica informal como a retórica têm em conta o auditório, mas de modos distintos. Do ponto de vista da retórica qualquer argumento que convença um auditório é bom, pois a persuasão é a única medida da argumentação. Mas é evidente que as piores falácias podem persuadir muitos auditórios, e nem por isso deixarão de ser falácias, ainda que sejam falácias persuasivas (aliás, por definição, uma falácia é um argumento inválido que é persuasivo porque parece válido, e portanto a retórica é incapaz de explicar o próprio conceito de falácia). Para a lógica informal, pelo contrário, o auditório é importante mas não determina só por si a validade ou invalidade da argumentação. O auditório é importante na lógica informal porque, por exemplo, ao argumentar a favor de uma dada ideia temos de escolher premissas que consideremos verdadeiras e que sejam aceitáveis para o nosso auditório; caso contrário estaremos a falar apenas para quem já aceita as nossas ideias. É por isso que o seguinte argumento é mau:
O aborto não deve ser permitido porque é o assassínio de inocentes.Este argumento é mau porque quem não aceita a conclusão (“O aborto não deve ser permitido”) também não aceita a premissa (“O aborto é o assassínio de inocentes”). A argumentação criativa é a arte de mostrar que há argumentos válidos a favor de P que partem de premissas que quem é contra P está disposto a aceitar. E esta arte não se adquire com o estudo da retórica, mas sim com o estudo da lógica informal.
Exercícios
- “A retórica complementa a lógica e ultrapassa os seus limites.” Concorda? Porquê?
- Qual é o objecto de estudo da lógica informal?
- Qual é o objecto de estudo da retórica?
Extraído de O Lugar da Lógica na Filosofia, de Desidério Murcho (Plátano, 2003
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Conhecimento Filosófico.
O conhecimento filosófico
Quando pretendemos escrever sobre um qualquer assunto é
conveniente definir muito bem os termos com que faremos o nosso texto.
Conhecimento pode ser definido como uma crença, entendida
como algo em que nós acreditamos; verdadeira, porque tem que corresponder à
realidade e, obviamente, justificada. Não vale dizermos seja o que for sem
saber justificar o que foi dito. Nesta medida, o conhecimento refere-se sempre
a algo e visa compreendê-lo. Para tal faz-se um esforço para organizar as
ideias, no sentido de lhes fornecer uma ordem. Quando nos deparamos com uma
situação nova, somos levados a procurar uma ideia, um sentido àquilo para nos sentirmos mais seguros. Só que, por vezes, a realidade não é assim tão fácil. Há
assuntos que merecem mais a nossa atenção do que outros; assim como há assuntos
que são mais facilmente resolúveis por determinadas ciências. Um cientista
procura, através de um método e instrumentos próprios, conhecer a realidade,
dando-lhe um certo significado. Por isso, cria fórmulas químicas, modelos
matemáticos, classificações de plantas e animais… Atenção, não quer isto dizer
que a filosofia não necessita da ciência. Aliás, é imprescindível o recurso à
ciência para fazer filosofia.
Vamos fazer a ligação com a filosofia
A filosofia não envereda por estes caminhos. Os seus
recursos técnicos não são idênticos às ditas ciências naturais. Na filosofia
não se usam microscópios (embora, por vezes, seja necessário um olhar de
lince), muito menos provetas. Na filosofia recorre-se à argumentação. O
raciocínio é uma predisposição que possuímos que nos leva a pensar
sistematicamente com o objetivo de qualquer pessoa reconhecer como correto. A
razão é, deste modo, um recurso importante porque nos propõe utilizar um método
que seja imune ao individual e social. A lógica tem aqui um papel
preponderante.
Agora uma ligação com os argumentos
A correção dos nossos argumentos é uma exigência social. Daí
que a filosofia recorra de forma assídua à lógica. Esta mostra-nos quando um
argumento é ou não válido, tem ou não sentido, o que não impede que façamos as
devidas correções às premissas que sustentam a conclusão. Isso mesmo, um
argumento é um encadeamento de ideias em que a última é sempre expressão das
anteriores.
Não parece muito viável que executamos qualquer ponto de
vista a partir de uma forma desconexa, pois não permitiria que a racionalidade
do outro fosse respeitada. Também ninguém quereria ficar nesta situação porque
todos nós temos um conjunto de teses sobre a realidade que gostamos de
partilhar. As teses não são mais do que ideias que formulamos acerca dos
problemas; proposições, verdadeiras ou falsas, sobre os mais variados assuntos.
Mas sejamos sérios. Estas ideias não se podem ficar por meras opiniões, elas
devem ser sustentadas por argumentos que enalteçam a clareza e a racionalidade.
Os problemas da vida assim o exigem. (aproveito para falar de problemas).
Problemas há muitos. É comum identificarmos um problema com
uma situação que apela à nossa intervenção e compreensão, no sentido de ser
clarificado para nosso benefício. Mas atenção, a filosofia não se debruça sobre
o problema, por exemplo, da transmissão de certas doenças; os problemas da
filosofia correspondem às designadas crenças básicas, crenças que servem de
apoio a todas as outras. Se estou a tentar conhecer algo é porque resolvi uma
questão que lhe serve de referência: o que é o conhecimento? Da mesma forma, se
for crente é porque confio na crença básica do crente: Deus existe. Se ouço uma
música e dela usufruir, encontro-me em condições de descrever uma crença
básica: o que é arte? Quando me dirijo a uma urna no sentido de votar, encontro
neste ato uma pergunta básica: o que é a política? Numa situação de
comportamento moral sei, ou devia saber, responder à pergunta: o que é o bem? O
que é o mal?
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Ensaio argumentativo - Casamento Homossexual
1. Formulação do problema
•Deve ser autorizado o
casamento entre casais homossexuais?
2. Objectivo do Ensaio
•Para vivermos em
sociedade é importante o respeito pela diferença, mesmo ao nível sexual. Face
ao crescente número de casais homossexuais que pretendem casar-se, torna-se
necessário construirmos argumentos sólidos sobre esta questão. É um assunto que
merece a máxima atenção pelo facto de originar exclusões sociais.
3. Posições existentes.
Argumentos prós e contras.
Contra:
•Bíblia: «Não podes
deitar-te com homem como com uma mulher; é uma abominação.»
•A homossexualidade é
contrária aos valores da família. A família tem o intuito de procriação.
•É contrário à natureza.
•A Homossexualidade é
perversa e torna as pessoas perniciosas.
Prós:
•O acto de amor não é
diferente entre heterossexuais e homossexuais.
•As pessoa têm todo o
direito de procurar a sua própria felicidade.
•A orientação sexual não
é escolhida, é herdada.
4. A tese que se pretende
defende
•Sou a favor do casamento
homossexual.
5. Argumentos a favor da
tese
•A felicidade deve estar
ao alcance de qualquer um, independentemente da orientação sexual.
•Se a minha felicidade
passar por amar alguém do mesmo sexo, então devo-me casar ou juntar-me a essa
pessoa.
•Desde que haja respeito
na forma como demonstram o amor, não se vê problema na possibilidade de existir
casamento.
•O conceito de família
deve mudar por que a procriação poderá não ser a única finalidade da
sexualidade. Há comportamentos sexuais que não visam a procriação.
•O conceito de família
não é algo que possa mudar.
•A constituição de uma
família tem como objectivo a perpetuação da espécie.
•Ao permitir-se o
casamento homossexual muitos outros casos irão aparecer.
•Vai haver uma degradação
gradual das sociedades.
•O casamento religioso é
um valor sagrado, portanto deve estar imune a essas situações.
•O conceito de família de
facto mudou. Além de haver inúmeros casais que se juntam sem o objectivo de
procriação.
•Há cada vez mais
famílias monoparentais o que reforça a ideia de mudança do paradigma de
família.
•A homossexualidade
sempre existiu, o que sempre lhe esteve associada foi a vergonha e o medo.
•A degradação social, ao
longo da história, teve causas exteriores ao fenómeno sexual.
•Admitimos que o
casamento não seja religioso. Mas como simples contrato civil, parece não haver
entraves.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
República III
Característica do republicanismo português
1º Pressuposto
COMO CONCILIAR A FILOSOFIA
ORIGINALMENTE ANTI-LIBERAL E ANTI-DEMOCRÁTICA DO POSITIVISMO COM UM MOVIMENTO
BURGUÊS QUE REIVINDICAVA A TRADIÇÃO DEMO-LIBERAL E A OBRA DA REVOLUÇÃO
FRANCESA?
Uma solução foi construir um
quadro centrado no positivismo francês juntamente com Mill, Spencer, Darwin…
- A solução foi a colagem ao heterodoxismo
positivista de Littré.
Razões:
- A religiosidade difundida por
Comte e Laffite para o positivismo. Para os liberais portugueses isso serviria
para a afirmação de uma nova forma de religiosidade o que, em vez de servir de
contestação à herança católica, degeneraria noutra forma religiosa que deixaria
atrasar mais uns séculos o desenvolvimento da humanidade.
- De acordo com os estados
positivistas, o clero estava situado no patamar teológico o que estaria sujeito
à refutação face à dinâmica científica do estado positivo. Assim, o
agnosticismo positivista legitimava a acção do movimento republicano contra o
espírito teológico. O “porquê” seria substituído pelo “como”. O ponto de vista
gnoseológico aliou-se ao ponto de vista ontológico na definição do ideário
positivista.
- Contudo, o edifício
demo-liberal exigia a afirmação do eu individual, fonte de liberdade. Pelo
contrário, Comte rejeitava as esferas individuais. Ora, se o projecto
positivista pressupunha negar o iluminismo e o consequente individualismo
racionalista, por considerá-los posicionados no patamar metafísico da evolução,
então os republicanos tinham um dilema: por um lado por uma questão de
coerência doutrinária, tinham de comungar das ideias positivistas, por outro
lado a sua base reivindicativa era demo-liberal e, por isso, afirmava a liberdade
individual e o comércio livre
Positivismo dava garantias de
lutar contra a ortodoxia eclesiástica e de afirmar a ideia de progresso.
A democracia demo-liberal dava
garantias de lutar contra a monarquia.
É esta a posição de Teófilo Braga. Afirma a liberdade política, civil e
filosófica contra a exclusividade positivista dada a esta última.
Ou seja, a prioridade da ideia republicana seria a afirmação do
movimento político, focando a sua prioridade intelectual no problema do REGIME
Porquê? Porque a supremacia da ideia filosófica protagonizada por Comte
não respondia aos desejos destes teorizadores, a saber, a mudança de regime. A
função política seria determinante porque no organismo social todas as outras
funções se subordinam a essa.
Que solução?
Conjugando o EVOLUCIONISMO DE SPENCER COM BIOLOGISMO SOCIOLÓGICO E O
POSITIVISMO HETERODOXO.
EVOLUCIONSMO DE SPENCER: retêm a ideia da evolução de uma primitiva
homogeneidade para uma actual heterogeneidade, provocando uma diferenciação dos
órgãos sociais, embora relacionáveis entre si (casando este evolucionismo com o
positivismo de Littré)
BIOLOGISMO SOCIOLÓGICO: a normalização social e adaptação ao meio
justificavam-se pelas teses darwinistas. O todo social seria tão só motivador
da evolução do TODO social (casando este biologismo com o positivismo).
Evolução ou Revolução?
Este foi outro dilema dos
republicanos. Querendo protagonizar uma mudança radical no regime político e
sabendo que sempre houve revoluções, queriam também não ir contra os ideários
positivistas da ordem e do progresso. Assim, no caso de Teófilo, afirmava que a
revolução inscrevia-se numa evolução geral, com a diferença de a revolução ser
uma característica humana, ao passo que a evolução seria uma característica da
permanente actualização do corpo natural. Estava assim alcançada a solução para
o dilema inicial. Existem revoluções, mas estas, com o avanço do conhecimento
científico, seriam facilmente esperadas e, por isso, evitáveis. Mais uma vez
mostrava-se que a república seria o desenlace inevitável do progresso humano.
Seria a cura do mal social inerente à existência de um regime que não dava
resposta aos novos ventos de mudança. A sociedade era comparada a um organismo
que, com as suas manifestações face às doenças, promoviam reacções para se
encontrar uma fase de equilíbrio orgânico.
Economia
Legitimado pela pequena
burguesia, o movimento republicano pugnava pela introdução de um sistema
económico de base liberal. O equilíbrio social, referido atrás, encontrava
guarida na promoção da livre iniciativa segundo a lei da concorrência vital. O
equilíbrio social resultaria da luta entre os interesses privados. Esta era a
opinião liberal contra a monarquia constitucional que defendia o grande
capital.
O Iluminismo e o Positivismo heterodoxo
Segundo Fernando Catroga
“enquanto a concepção do conhecimento racionalista se baseava num modelo
platónico-matemático e apontava para uma atitude crítica e criadora face aos
dados do senso comum, o positivismo, voltado para a fundamentação do
conhecimento social, situava-se nos limites de um racionalismo naturalista e
moderado, culminando, ao nível da sociologia, na apologética de um empirismo
reprodutor dos interesses de classe que sobredeterminavam a sua leitura da
realidade social.”[1] O racionalismo
setecentista seria produto de uma dinâmica metafísica em luta contra o
medievalismo que, devido ao facto de se enquadrar numa perspectiva
especulativa, urgia superar. Se o objectivo era enaltecido, os meios utilizados
eram repugnados face aos desenvolvimentos científicos de oitocentos. Apesar
disto, o positivismo heterodoxo retomava a ilusão iluminista do nascimento de
uma nova ordem política.
A moral republicana
Comte propunha uma ética altruísta que rejeitava qualquer
fundamentação teológica, de acordo com um deus transcendente revelador da
verdade, e de uma metafísica, que propunha a autonomia do indivíduo como
fundamento ético. Para Comte a sociedade seria uma entidade ôntica auto-suficiente
e o indivíduo uma simples abstracção. A comunidade dos eus diluía-se na
autoridade social.
Os republicanos não seguiram estes preceitos, porquê?
Qual o recurso encontrado?
O utilitarismo
Bentham e depois Mill advogavam o princípio do máximo prazer
para o maior número de pessoas possível. Este Hedonismo pressupunha um egoísmo
ingénito que levaria a uma harmonia com os seus semelhantes. A filantropia
utilitária estaria inscrita nos indivíduos como seres naturalmente sociais. No
entanto, esta filantropia não possuía um estatuto inata, devia ser cultivada a
partir de uma reorganização do sistema educativo e das instituições políticas.
Darwin
Defendeu a existência de um instinto social como fundamento
da conservação. O altruísmo dentro da espécie revela a verdadeira dimensão do
filantropismo. A busca do prazer e a superação da dor seriam os alicerces da
conduta humana e animal.
Teófilo Braga
v
O instinto da conservação radicava no egoísmo
(utilitarismo);
v
No indivíduo encontra-se o instinto da
solidariedade da espécie (Darwin);
v
Este altruísmo de espécie é consequência de uma
evolução que resultou numa harmonia entre o egoísmo e o interesse da sociedade
(positivismo heterodoxo).
v
A sistematização destes preceitos exigia um
sistema educativo que revelasse as máximas produzidas pelos povos e uma
coordenação correcta entre a vontade e a inteligência;
v
Elaboração de uma paideia que promovesse os
ideais republicanos;
v
Com isto conseguir-se-ia uma liberdade
individual e de iniciativa, uma sociedade laica e democrática e o abandono de
todas as formas políticas degeneradoras.
Conceitos fundamentais: lei dos
três estados, evolucionismo, ordem e progresso, positivismo heterodoxo,
cientismo biológico-social, república demo-liberal
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